11 de julho de 2010

E agora?

A luz do imenso sentir, já se apagou
E agora?
O imenso sentir da luz, já se foi
E agora?
O sentir da imensa luz, já não sente
E agora?
A imensa luz do sentir, já não existe
E agora?
Só por hoje, e agora?

--> Líria de Moraes 1998

6 de julho de 2010

Uma Gota de Sonho

Minha poesia
que fica
na distância.

São sonhos
de um dia,
quando era criança.

Um fio de água
que tenta
ser mar.

Uma gota
de lágrima
num olhar.

Um poema
com alma
do meu ser.

Um sonho
perdido
sem poder.

Neste silêncio
tudo
arde.

Enquanto sonho,
a vida
fica pra mais tarde.

- Frankelim Amaral

23 de junho de 2010

Nossos televisores

Nesses tempos
de escasses
de boa mídia
fama e nudez
a todo custo,
vemos nossos televisores
e monitores,
lotando suas telas
de corpos e silhuetas
levianas.

-> Líria de Moraes 2010

22 de junho de 2010

Certo, errado...

Desisti
desse certo,
errado,
querer
pessoas como
cópias minhas
não é proprio
nem correto
nem devido.

Eu, eu
você, você
e simplifica mais
descomplica
andamos mais
é menos torto
menos rude
mais macio
fica suave
e não suado.

É...é isso
faz parte
compactua
é compatível
"pé no chão"
tangível
indicado
nivelado
inteiro.

-> Líria de Moraes 2010

Lama

Te joguei nessa sujeira
no ar me debati
a resposta está sempre na beira
bati, cai, cuspi
a resposta está sempre na lama
na beirada, na beira
beira da estrada
beira do mundo
beira dos olhos
beira do abismo
beira, beirada.

Nos suga a lama
lama, lamaçal
ta na hora de partir
de fumar um cigarro
de tomar um trago
ta na hora.

Vamos para a beirada
dos teus olhos
dos teus lábios
mas a lama
a lama está lá.

-> Líria de Moraes 2010

19 de junho de 2010

Lágrima

Por trás dessa lágrima
Possível não foi lidar com isso
Tanta dor automática
Toda guardada em um livro
O meu livro, concentrado
Nesta lágrima que escorre
Tanto pranto imediato
Uma lágrima a cada página que morre
Morte por morte, lágrima por lágrima
Preenche este livro, dia a dia
Nesta gota de tristeza, página por página.

-> Líria de Moraes 1998

Confirmação

A energia dispersa-se
És surdo ao meu chamado
Cego ao meu sinal
Sol que ilumina teus erros
Luz que no vácuo se perde
Mas os olhos confirmam
Vontade própria
Gerando revolta
Passos no mar são teus
Estás preparando para te conteres?
Sigo a sombra de tua voz...

-> Líria de Moraes 1994

6 de maio de 2010

____________sem nome_______________

Em meio a vida
o bêbado pergunta:
qual é a saída?

Com sua velha bermuda,
que é jeans,
em cima daquele edifício
não se considera feliz.
Por isso é tão díficil
ele precisa da vida partir.

Sim, partir dessa vida
para uma melhor:
longe da bebida
perto de Deus
com bastante entusiasmo
estes são sonhos seus.

Mais calmo
do edifício ele desce
vai para casa
deita e adormece
tem fé e sonha
que a sua vida mudará
e feliz ele será.

--> Líria de Moraes
1998

4 de maio de 2010

Ira do tempo

Isolado, ali está
em meio aquático
ilha do meu viver.
Quem sabe vou até aí?

Solitária solidão
encare a verdade.
Quem sabe vou lhe visitar?

Desesperado, lá está
entregue ao vento
como uma pluma.
Quem sabe se irei?!

Ira do tempo
reserve-me um momento.
Quem duvida disso?

Espaço colapso
não me espere.
Quem sabe um dia, quem sabe...

--> Líria de Moraes
1995

Outros tempos no presente


Postarei poesias de outros tempos, mas que podem, porque não, remeter ao tempo presente. São pensamentos guardados, que invadem o cenário do Blog a partir de hoje.=D