5 de novembro de 2010

Mulher Sem Razão_Adriana Calcanhotto


Composição: Bebel Gilberto / Cazuza / Dé Palmeira

Saia desta vida de migalhas
Desses homens que te tratam
Como um vento que passou

Caia na realidade, fada
Olha bem na minha cara
Me confessa que gostou
Do meu papo bom
Do meu jeito são
Do meu sarro, do meu som
Dos meus toques pra você mudar

Mulher sem razão
Ouve o teu homem
Ouve o teu coração
Ao cair da tarde
Ouve aquela canção
Que não toca no rádio

Pára de fingir que não repara
Nas verdades que eu te falo
Dê um pouco de atenção

Parta, pegue um avião, reparta
Sonhar só não dá em nada
É uma festa na prisão

Nosso tempo é bom
E nem vemos de montão
Deixa eu te levar então
Pra onde eu sei que a gente vai brilhar

Mulher sem razão
Ouve o teu homem
Ouve o teu coração
Batendo travado
Por ninguém e por nada
Na escuridão do quarto

Ouve o teu coração
Ao cair da tarde
Ouve aquela canção
Que não toca no rádio

26 de outubro de 2010

Rato

Não sabes o que penso
te desprezo
não sou da tua rua
não sou teu amigo
não gosto de você
uns são mais iguais que os outros
e eu não sou você
és nada, és imundo...
Não te esmago, rato
pois não mereces entrar em meu jardim
não te corto a garganta à faca
porque só uso flores e versos
carrego estrelas e luas no bolso
não ando no teu submundo de esgoto
cheio de ironia e covardia
te quero vivo em outra galáxia...
E se por acaso tentares entrar novamente
em tua face, cuspirei
deitarás em cacos de vidro
e por cima, pisarei
se vieres, teus dentes um por um, arrancarei
uma agulha em teus olhos, enfiarei
e até iniciar um ciclo de camisas amarelas secando ao sol, poderei.

--> Líria de Moraes 2010

20 de outubro de 2010

Sutilmente_Skank


Sutilmente_Skank

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
Quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti

Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti

Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti.

12 de outubro de 2010

Enjaulado - Líria Moraes

Enjaulado

Mantenha-se vivo
Longe dos mentirosos 
Desse meio vazio.

É como uma casa sem chave
Seu coração pode estar enjaulado
Mas ainda bate.

Antes que perca seu espírito
Descubra quem é
O seu melhor pior amigo. 

Sei que queima por dentro
Seja a armadura de você mesmo.

Líria Moraes
2010

21 de setembro de 2010

Órfão_Líria Moraes




Órfão

Ele quis ter uma inspiração
para saber caminhar na vida
ter um norte, um sul...
Por tantos anos clamou por teu amor.
Ah, como fizestes falta!
Quantos choros perdidos
sem nenhum porto seguro.
Ele tem saudades do teu afeto
que não chegou a tempo
e que criança, um dia, sonhou ter.

Líria Moraes
2010

16 de setembro de 2010

Acordar ao teu lado

Acordar ao teu lado
é tão bom quanto
algodão doce
derretendo na boca.

Tão bom quanto
banho morno
música alta
fitar as estrelas.

Tão bom quanto
beijo na testa
bala delícia
andar de bicicleta.

Tão bom quanto
dose de vodca
areia da praia
afagar um bichinho.

Tão bom quanto
cabelo despenteado
uma sexta-feira
pegar a estrada.

--> Líria de Moraes 2010

14 de setembro de 2010

Brilho eterno de uma mente sem lembranças

Esse filme é aberto a várias interpretações, contudo o seu principal assunto é a memória, o passado e o que representa para os seres humanos. É importante observar que ele se distancia bastante do padrão dos filmes produzidos em Hollywood.

Charlie Kaufman brinca com nossa capacidade de superar as relações amorosas de tal forma que nos sentimos inconformados após o terminar de assistir ao filme. Com uma sensação de incapacidade tão grande, um sentimento de vazio e impotência que nos envolve, que temos a impressão que somos nós mesmos a viver aquela triste história. Interessante admitir que ele nos leva a reflexão de várias idéias e atitudes que carregamos conosco e não damos a mínima para elas até que nos venham incomodar. Para os que não viram, vale a pena conferir, e pros que já assistiram rever.

#valeapenaconferir #ficadica



8 de setembro de 2010

Dispersão


E esse sono que não passa
esses galhos retorcidos
sobre nossos sentimentos
há um alvo, um foco
por que dessa dispersão do eu?
É árduo, é!
É árido, também!
Mas no imaginário
as formas geométricas
voam por aí
deixando o solo gelatinoso
e no céu, um buraco negro.

--> Líria de Moraes 2010

3 de setembro de 2010

Eric Clapton_Lonely Stranger

I must be invisible;
No one knows me.
I have crawled down dead-end streets
On my hands and knees.

I was born with a ragin' thirst,
A hunger to be free,
But I've learned through the years.
Don't encourage me.

'Cause I'm a lonely stranger here,
Well beyond my day.
And I don't know what's goin' on,
So I'll be on my way.

When I walk, stay behind;
Don't get close to me,
'Cause it's sure to end in tears,
So just let me be.

Some will say that I'm no good;
Maybe I agree.
Take a look then walk away.
That's all right with me.

1 de setembro de 2010

Amor perdido

Amor perdido

Foi bom te amar
às  3 da manhã
ficar a conversar
sem perceber
a chegada do amanhecer.

Ao violão, dezenas de músicas
namoro ao luar
viagens fantásticas
lembranças desse tempo
quantas saudades...

Nos apaixonamos
foi  tudo mágico
até nos perdemos no caminho
até nos perdermos um do outro.

Quis te falar tanta coisa
já nem lembro
te amei
meu coração foi contigo
fui inteira, me entreguei.

Por que fostes embora?
Por que essa imensa nuvem
entre o que sentíamos?
Era abismo nossos lábios...

Hoje te olho com a ternura
de quem um dia te abraçou
não faz mais sentido
éramos nós
agora somos muitos.

Líria Moraes
2004